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domingo, 24 de janeiro de 2010

Simples Nacional, Lucro Real ou Presumido?

Editado em www.consultbusiness.blogspot.com

Por André Luiz Silva

Não faz muito tempo em que a contratação de empresa de consultoria, especializada em Planejamento Tributário era privilégio de poucas e grandes corporações. Hoje em dia, no mercado altamente competitivo em que vivemos, não basta apenas ser um bom fabricante ou um bom vendedor. Os empresários precisam tomar ciência de que se não estiverem bem assessorados nessa área seus negócios estarão fadados ao fracasso. Isso porque, levando-se em conta que a atual carga tributária se aproxima dos 40% do Produto Interno Bruto – PIB do país podemos afirmar que o departamento tributário das empresas passou a ser tão importante quanto o departamento de produção e de vendas. É verdade que a maioria das empresas, principalmente as de pequeno e médio porte, além de não possuírem esse departamento, não dá a importância que o tema comporta e acabam deixando esse assunto para depois ao invés de buscar, em tempo hábil, assessoria de profissionais capacitados. Talvez seja esse um dos principais motivos, que, segundo as estatísticas do Governo Federal, de cada dez empresas que são abertas no Brasil, três fecham no primeiro ano e só quatro conseguem chegar ao quinto ano de existência.

O fato é que nos últimos anos a legislação tributária vem sofrendo consideráveis alterações as quais impõe aos contribuintes um maior risco de questionamento fiscal nas operações tendentes a reduzir os encargos tributários das empresas. Nesse mesmo período as autoridades fiscais têm investido em tecnologia visando ampliar cada vez mais a popularmente denominada “fiscalização eletrônica”, ou seja, foi-se o tempo em que “soluções caseiras”, geralmente voltadas à sonegação, eram suficientemente eficazes para reduzir tributos, com pequeno risco de identificação por parte da Administração Tributária.

Hoje as autoridades fiscais são capazes de fiscalizar os contribuintes à distância, através da confrontação das informações enviadas pelas empresas em cumprimento das obrigações acessórias aos tributos, as quais servem para o fisco como verdadeiros relatórios das atividades por elas exercidas durante o ano calendário. Com base nessas informações as autoridades fiscais podem analisar a capacidade econômica e financeira dos sócios das empresas (rendimento, movimentação financeira, gastos com cartão de crédito e aquisição de bens – imóveis, carros etc.). O mesmo se aplica às pessoas jurídicas que, além dessas análises e cruzamentos de informações, também estão sujeitas a uma espécie de “verificação de inconsistências”, ou seja, o simples fato de demonstrarem uma arrecadação tributária menor que a estimada para seu ramo de atividade as colocará em uma situação de destaque como eventual contribuinte com “desvio de conduta”, hipótese em que o processo de fiscalização convencional será acionado.

Atualmente, para se tornar competitivo não basta optar por uma das três formas de tributação – SIMPLES, Lucro Presumido ou Lucro Real - é preciso ir além dessas premissas básicas que todo bom contador deve ter em mente. Um trabalho sério de Planejamento Tributário tem por objetivo identificar oportunidades de redução dos encargos com impostos e contribuições sociais atualmente assumidos pelas empresas, mediante alteração de procedimentos operacionais, contábeis e/ou fiscais, nos estritos termos da legislação vigente, sempre analisando os possíveis reflexos que as alterações de procedimentos ou reestruturações societárias sugeridas podem provocar nas demais áreas da empresa, é neste momento que se deve analisar qual é o melhor regime tributário para o seu empreendimento, vislumbrando ainda, a possibilidade do desmembramento do atual negócio, através da criação de novas empresas, minorando a atual carga tributária.

Quando se fala em competitividade e gestão de negócios, não podemos mais deixar de lado os encargos tributários que oneram o preço final dos produtos a serem vendidos. No caso específico das indústrias, e comércio, apesar de o governo federal ter se empenhado em criar incentivos para o aumento da produção, e o parcelamento último dos impostos federais , isso ainda representa pouco diante da enorme carga tributária incidente sobre a cadeia produtiva nacional relacionada ao segmento industrial.

Em suma, podemos concluir que o Planejamento Tributário é uma excelente ferramenta para um acompanhamento da situação fiscal da empresa e para uma administração pró-ativa dos encargos tributários por ela assumidos, o que se faz imperativo em função da real necessidade de reduzir o ônus tributário com menor risco possível, bem como identificar e eliminar eventuais contingências fiscais, visando tornar a empresa competitiva e rentável, sem surpresas desagradáveis, como por exemplo, autuações fiscais inesperadas.

O Que é Precatório?


Editado em www.consultbusiness.blogspot.com

Por André Luiz Silva

Precatório é uma ordem de pagamento à vista emitida pela justiça, em condenação à fazenda pública, seja de municípios, estados ou da União.

Os créditos a receber comunicados pela justiça até 1º de julho de cada ano têm de ser incluídos para pagamento no orçamento do ano seguinte dos municípios, estados ou da união.

Os precatórios alimentares têm preferência por se tratar de ações referentes a pensões, aposentadorias e salários.

A outra categoria é de precatórios comuns, relativos a processos de desapropriação ou envolvendo compulsórios, por exemplo.

Como Funciona:

Esses títulos têm sido vendidos ou alugados, operações legais que são feitas com deságio em relação ao valor do crédito a receber, mas que exigem cuidados:

ü Saber com quem está negociando;

ü Verificar a origem do papel, ou seja, a quem se destina, informações que devem ser checadas no processo judicial;

ü Observar se não há contestação dos valores. A existência de uma parcela paga significa que a quantia foi aceita;

ü Certificar-se de que o precatório está na fila de pagamentos;

ü Quem compra um precatório deve requerer a cessão do título por escritura pública e homologar o negócio no processo judicial;

ü Estabelecer com clareza as condições do aluguel no contrato firmado para esse fim.

O que pode ser feito com Precatórios?

ü Liberação de Protestos;

ü Liberação de bens penhorados com uso de Precatórios da Emenda Constitucional Nº 30;

ü Penhora em Execução Fiscal;

ü Liberação de Certidão de Regularidade Fiscal;

ü Compensação de ICMS mensal;

ü Liberação de autorização de Impressão dos documentos fiscais (AIDFs);

ü Outros serviços.


quinta-feira, 29 de outubro de 2009

S.O.S Brasil - Grito de Alerta!

Editado em www.consultbusiness.blogspot.com

Por André Luiz Silva

Dizem por aí que o Brasil é o país do futebol, do voleibol, da Ginástica Olímpica e por aí vai. Fazemos “bonito” também quando o assunto é a da cobrança de impostos. Vivemos num dos países do mundo onde a carga tributária é uma das maiores do planeta, nos igualamos com os campeões recordistas mundiais nesta modalidade à Dinamarca, Noruega, Suécia e Bélgica. Conhecemos bem os efeitos causados pela alta carga tributária que nos é imposta: o desemprego é uma delas, seja pela falta de investidores internacionais, ou pela coibição da iniciativa privada ambas motivadas pelo desestímulo, contribuindo para o aumentando crescente da chamada economia informal.

Sabemos que as estatísticas são cruéis quando se trata de enumerar a mortalidade das empresas constituídas no país, em sua grande maioria nascem predestinadas à morte.
Para agravar ainda mais a situação, ultimamente temos visto uma invasão desenfreada de produtos chineses no comércio nacional: calçados, bolsas, tecidos, brinquedos, componentes eletrônicos e tantos outros, cujos preços têm agradado aos consumidores, que parecem não se preocupar com a qualidade, o que tem sido motivo de preocupações não só para os empresários dos diversos setores como dos empregados que sentem os seus empregos ameaçados. Embora seja uma tendência mundial o crescimento da indústria chinesa; em se tratando do Brasil, é necessário que o governo federal adote medidas emergenciais imediatas, para que não haja uma quebradeira geral. Um dos caminhos seria desonerar as empresas brasileiras com a redução imediata da carga tributária. Só para se ter uma idéia o Brasil é o país que mais cobra impostos no setor de alimentos, num ranking de 15 países ricos e emergentes, quando se trata de educação, os materiais escolares consumidos pelos estudantes também são penalizados com altas cargas de impostos: a régua (45,85%), a borracha (44,39%), a caneta (48,69%), a mochila (40,82). Outro segmento de consumo massificado e onerado pelos impostos são os dos medicamentos, só de ICMS, São Paulo cobra 18%, ficando atrás apenas do Rio de Janeiro com 19%, aliás, o mais caro do país.

Segundo o Instituto brasileiro de Planejamento Tributário – IBPT, a carga tributária brasileira chegou em 36,56% do PIB, EM 2008. Crescimento de arrecadação, em comparação a 2007, na ordem de 14,43%, correspondendo a R$ 133,26 bilhões arrecadados a mais, significa dizer que de tudo o que o país produziu neste ano, 36,56% adveio das cobranças de impostos, o ideal seria ficar na casa dos 20%. Na distribuição do bolo, os tributos federais representam atualmente 26%, os estaduais ficam com a maior parte 68% e os municipais perfazem 6%.

Apesar da crise, a arrecadação nominal de tributos cresceu no primeiro semestre de 2009, ocorrendo uma sensível queda da carga tributária em relação ao PIB de quase 1%, neste período, ainda de acordo com o Instituto brasileiro de Planejamento Tributário. Desde a promulgação da atual Constituição, a carga tributária praticamente dobrou.

Diante da situação, é de suma importância a avaliação do atual regime tributário adotado pelas empresas, o que certamente poderá implicar no ganho de competitividade e crescimento no mercado em detrimento da redução da carga tributária. A ferramenta ideal para as empresas em funcionamento é replanejamento tributário, cujo objetivo é reduzir a carga tributária, e evitar o pagamento de tributo em excesso ou desnecessariamente, seja através da recuperação de tributos, da busca de incentivos fiscais, ou da adoção de ações gerenciais lícitas, que possibilitem a não ocorrência do fato gerador do tributo, que diminuam o montante devido ou adiem o seu vencimento, seja através de ações judiciais, que suspendam o pagamento (adiamento), diminuam a base de cálculo ou alíquota e contestem a legalidade/inconstitucionalidade da cobrança, ou até mesmo o estudo da viabilidade da criação de nova (s) empresa (s), coligadas ou não, de desmembramento de atividades eventualmente concentradas, visando à geração de créditos tributários ou à simples economia tributária.

A Elisão fiscal (tax avoidance) significa economia de imposto, por intermédio de planejamento fiscal. Nada impede que o contribuinte estabeleça a prática de seus negócios de maneira que pague o menor imposto possível. É a economia lícita do pagamento do tributo, visa minimizar a tributação e elevar os ganhos da atividade econômica.

O melhor momento para iniciar os trabalhos de Planejamento Tributário está no terceiro trimestre de cada exercício fiscal, uma vez que nesta ocasião, é possível avaliar o peso da tributação do atual regime, bem como mensurar o crescimento para o próximo exercício, o ideal é de que a empresa no decorrer de cada ano prepare-se e se adéqüe a possível mudança de regime, cada caso é um caso, existem algumas atividades em que o Lucro Presumido é a melhor escolha, mas é bastante comum haver mudanças de ordem operacional e a migração ou acréscimos de outras atividades que impactam de forma negativa aumentando consideravelmente a carga tributária.

Dadas as razões, o ideal é a contratação de uma consultoria especializada para a realização do diagnóstico tributário. A contratação sempre é a maneira menos onerosa até porque, a economia auferida pelos trabalhos, uma vez bem elaborados e fundamentados, trará uma grande economia para a empresa contratante, trazendo tranqüilidade e protegendo os bens da empresa e dos sócios, uma vez que os pagamentos corresponderão à realidade e a capacidade de cada empreendimento, evitando problemas com execuções fiscais, penhoras, dentre outros.

FIM.

sábado, 24 de outubro de 2009

Papel da Anvisa no Crescimento da Informalidade

Matéria editada na revista Quem é Quem News - Ano 4 - nº 17-2008

Por André Luiz Silva

Devido ao forte crescimento da economia nos últimos anos e a extensão territorial de nosso país, temos visto nos meios de comunicação escândalos de todos os tipos envolvendo a atuação de Anvisa. Cito um exemplo que saiu em matéria televisiva em rede nacional: em junho deste ano o Inmetro, em parceria com o Instituto Nacional do Controle de Qualidade em Saúde, testou 11 marcas de desinfetantes vendidas em todo o Brasil. Diversas irregularidades foram constatados, dentre elas, a falta de registro na Agência de Vigilância Sanitária de duas marcas, que foram consideradas clandestinas e eliminadas do teste. Ao final, o Inmetro considerou que, dos nove desinfetantes analisados, sete tiveram amostras reprovadas. Isso demonstra claramente a inoperância e impotência da Anvisa frente ao número crescente de indústrias, seja pela falta de capital humano, seja pela amplitude de suas competências.

Segundo informações as ASTEC (Assessoria Técnica da Anvisa), divulgadas em dezembro de 2007, a Anvisa conta com 829 especialistas e tem 156.745 empresas cadastradas, o que representa 189 empresas para cada especialista inspecionar ou fiscalizar. Além disso, segundo apontamento da Fundação Getúlio Vargas, o desempenho da economia informal em 2007 foi 61% melhor que o da economia formal. A partir disso, podemos afirmar que existe em operação no nosso país um número considerável de empresas industriais, comerciais e de serviços, que sequer possuem registro na Junta Comercial de seu Estado, produzindo e comercializando diversos tipos de produtos desde saneantes, cosméticos e alimentos até medicamentos. Se pensarmos hipoteticamente apenas neste grupo de empresas, estimadas em torno de 10%, teríamos para cada especialista da Anvisa um número de 1.890 empresas para atender, o que na atual conjuntura é humanamente impossível.

Os maiores prejudicados, neste contexto, são empresas legalizadas e contribuintes, que sofrem quando precisam registrar seus produtos na Anvisa. A reclamação número um está na burocracia para registros e licenciamentos, a perda de informação pela Anvisa quando das inspeções e o despreparo para prestar informações fato constatado por usuários que buscam estes serviços e nos consultam para dirimir a seu favor. A situação se agrava ainda mais quando o assunto é cosmético. Hoje, o Brasil ocupa o 3º lugar no ranking mundial de fabricação de cosméticos, perdendo apenas para os EUA e Japão. Entre 2002 e 2007 saltamos de R$ 9,71 bilhões para R$ 19,60 bilhões de faturamento, um crescimento da ordem de 101% em apenas cinco anos (somente na economia formal).


O mercado fabricante nacional está concentrado nas regiões sudeste e sul, seguidas pelo nordeste, centro oeste e norte. E o consumo característico de cada região é influenciado pelo clima e comportamento. A região nordeste, por exemplo, é um mercado potencialmente forte para xampus, condicionadores e cremes hidratantes. Já a sudeste consome uma fatia maior em perfumaria e maquiagem (pele), além de tinturas (cabelo). Já as exportações deram um salto considerável. Em 2006, comparado aos anos anteriores, o Brasil exportou mais de 26,20%, superando as expectativas do setor e deixando para trás a Rússia com 14,4%, a China com 11,6% e os EUA, maios fabricante do planeta,com 4,8% de crescimento.

CONSUMIDOR EM FOCO

Ao comprar um produto o consumidor deveria se atentar a questões simples, como habituar-se à leitura dos rótulos, por exemplo, especialmente das novas marcas que surgem como muita freqüência nas prateleiras de supermercados, farmácias e padarias. O preço é quase sempre o fator determinante para a aquisição de qualquer produto, principalmente na classe com poder aquisitivo mais baixo e com pouca instrução. Já os supermercados por muitas vezes deixam de averiguar se esse ou aquele produto está colocado legalmente no mercado, levando em conta apenas o baixo preço de compra.


A Anvisa atua fundamentalmente na regulamentação, controle e fiscalização de produtos e serviços que envolvam risco à saúde pública e, estando vinculada ao Ministério da Saúde, deveriam ser feitos mais investimentos por parte do governo federal além, é claro, de campanhas com cunho educativo. Dessa forma, poderiam ser minimizados os prejuízos à cadeia causados pelos fabricantes e comerciantes mal intencionados: o fabricante seria alertado da responsabilidade e cominações legais de sua práticas comerciais; e o consumidor, através do exercício da cidadania ao denunciar danos causados pelos diversos tipos de produto à sua saúde.

Em suma, como órgão regulador, fiscalizador e de controle das atividades que impactam na saúde da população, a Anvisa está longe de alcançar seus objetivos. O mercado formal, a exemplo das indústrias de cosméticos,tem crescido consideravelmente ano após ano. O mercado informal, por sua vez, não dá trégua e tem batido recordes de crescimento a cada ano. Este mercado tende a crescer ainda mais se nada for feito para coibir a informalidade, especialmente no que tange a alta carga tributária, um de seus principais incentivadores. Talvez o caminho eficaz esteja na informação, nos velhos e sábios conselhos “onde, como e por quê”. É preciso também uma postura rígida e ao mesmo tempo questionadora de toda a sociedade: Governo, fabricantes, comerciante e consumidor, acerca deste assunto em que a saúde pública é a principal personagem.

FIM.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Fusão De Aço e De Empresas

FUSÃO DE AÇO E DE EMPRESAS.

Íntegra da Matéria editada pela revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios - Nº 214.

Durante décadas eles dividiram o mesmo mercado, disputaram a preferência dos clientes, eram concorrentes ferrenhos e alternaram a liderança num setor marcado pela guerra de preços. Há um ano, numa demonstração de maturidade, os sócios de três das principais empresas de beneficiamento de sucata de ferro e de aço do país decidiram unir suas forças. Eles deixaram para trás as diferenças pessoais, fundiram suas empresas em uma, maior e mais competitiva.

A nova empresa, RFR Reciclagem, nasceu de uma mudança no cenário nacional. As siderúrgicas, principais compradoras da sucata beneficiada, passaram a fundir a própria sucata e, de uma hora para a outra, deixaram de ser apenas clientes para assumir o papel de temidos concorrentes. Os sócios da RFR não tinham muitas saídas. “Somar forças foi o caminho que nós encontramos para garantir a sobrevivência de um negócio que atravessava várias gerações”, diz Vidal Cruz, 52 anos, um dos oito sócios da RFR. “Separados, não sobreviveríamos por mais cinco anos”.
Nascida da junção das empresas Realfer, da Fervitor e da Recimesa, todas da capital paulista, a RFR Reciclagem responde por 8% do mercado nacional. Processa cerca de 30.000 toneladas de sucata, já que o setor beneficiou em 2005, segundo o Sindicato do Comércio Atacadista de Sucata ferrosa e não ferrosa do Estado de São Paulo, 580.000 toneladas de aço e ferro por mês. Desse total, 520.000 foram negociadas com as usinas siderúrgicas e as demais com as fundições.

Ao criar uma nova empresa, os sócios dizem que reduziram custos, aumentaram o mix de produtos, ganharam escala e investiram na modernização das máquinas e da frota. Melhor do que isso, ergueram uma indústria equipada com o que há de mais moderno em “tecnologia para o ramo. Compraram, por exemplo, um sofisticado aparelho de medição do índice de radioatividade presente na sucata.”Nenhum caminhão carregado entra no pátio sem antes passar pelo detector”, afirma Cruz. “É uma questão de segurança”. Compraram também, uma imensa máquina, chamada de shredder, que mais parece uma engenhoca de filmes de ficção científica, para triturar a sucata bruta e garantir um produto final com um índice de purificação 22% superior ao oferecido pelo mercado. De fabricação alemã, a shredder custou 10 milhões de reais e tornou-se o diferencial competitivo da RFR.

Respeitando a cartilha da modernidade e da preservação do meio ambiente, a RFR, em um ano de operação, cresceu 20% em volume de sucata processada e faturou 120 milhões de reais. Além disso, conquistou a certificação ISO 9001 na gestão da qualidade e está a caminho da ISO 14.000, por se preocupar com o destino ecologicamente correto do material processado, do acondicionamento de resíduos industriais e de peças obsoletas. “É uma performance que, com nossas empresas independentes, seria impossível alcançar”, diz Marcos Fonseca, 34 anos, o caçula dos sócios. Segundo ele, a modernização, os ganhos de volume e a boa visibilidade no mercado foram alguns dos benefícios trazidos pela fusão.

COMO MANDA O FIGURINO – Ao contrário das grandes fusões empresariais, a criação da RFR reciclagem não levou meses. Os sócios afirmaram que bateram o martelo em menos de uma semana. Para os parceiros mais cautelosos, soava como um risco abrir mão de um negócio que ia bem – as três empresas eram reconhecidas pelo mercado – para começar tudo de novo. Mesmo assim, convenceram-se. “O cenário econômico apontava nessa direção e logo assimilamos a idéia da fusão para ganhar representatividade”, diz Cruz.

A agilidade na tomada da decisão não significa que o processo seria indolor. “Tínhamos laços emocionais fortes, porque as empresas carregavam histórias de família”, diz Cruz. O sócio Fonseca lembra que, para alguns, o que mais doeu foi abrir mão do nome de suas empresas, uma identidade que se confundia com os donos. A solução encontrada foi preservar as iniciais da três, RFR. “A emoção nesse momento pesa muito, assim como o fato de ter de dividir com o ex-concorrente uma empresa que você mesmo criou”. Diz Cruz.

Entre fechar as antigas empresas e iniciar a nova operação passaram-se 90 dias. A preparação envolveu a busca de um terreno de 50.000 metros quadrados no município de Guarulhos, na Grande são Paulo, capaz de acomodar a sede da empresa e a shredder que, todos concordavam, precisava ser comprada. Também envolveu a estruturação da frota de caminhões e da rede de coleta de sucata.

Segundo Cruz, desde o início ficou acordado que cada um deveria trazer para a RFR apenas o que tinha de melhor, fosse em máquinas, mão-de-obra ou processos de gestão. O acordo incluía “limpar a casa”: cada um deveria resolver seus próprios problemas antes da fusão. “Duas das empresas eram familiares, o que exigia uma depuração maior da divisão entre o negócio e as pessoas físicas, pois em muitos momentos eles se fundiam”, diz Cruz. Também foi preciso “zerar” dívidas de gratidão. Cruz, por exemplo, ofereceu a um de seus empregados, com mais de 20 anos de serviços prestados, um salário integral para ficar em casa até que alcançasse a aposentadoria. “Ele não tinha mais função na nova empresa, mas não seria justo colocá-lo na rua”, afirma. “Ele voltou à sua cidade e nós cumprimos o nosso papel”.

O QUE VOCÊ PODE APRENDER COM A RFR RECICLAGEM
. Um empresário não pode ter apego a sua empresa, como se ela fosse um filho, e deve estar preparado para negociá-la como qualquer produto;
. O mercado muda rapidamente e é fundamental estar atento;
. Clientes podem se tornar concorrentes;
. Concorrentes podem se tornar parceiros;
. Sócios têm que ter um papel definido, seja em cargos executivos ou no conselho;
. Cargos de presidente e de vice podem ser rotativos.

Uma das principais tarefas do grupo foi distribuir claramente as funções que cada um ocuparia no novo organograma. Decidiu-se que o investimento em capital seria proporcional ao tamanho de cada empresa, o que determinaria, também a participação societária. As cotas foram fixadas em toneladas processadas. Criou-se, também um modelo de gestão com cargos de presidente e vice-presidente rotativos: a cada dois anos, trocam-se os ocupantes das cadeiras. É uma boa solução para acomodar os talentos de todos os sócios. Dos oito empreendedores envolvidos – Marcos Sérgio Gonzáles, 49 anos, o presidente em exercício; Marcos Cruz, 45 anos, vice-presidente; Antonio Marcelo Fonseca, 36 anos; Vidal Cruz, 52 anos; Marcos Fonseca, 34 anos, Américo de Moraes Filho, 52 anos; Márcia Monteiro, 32 anos; e Márcia Gonzáles, 48 anos -, seis trabalham na empresa e dois integram o conselho de acionistas.

Ao descrever a trajetória da RFR Reciclagem tem-se a sensação de que o processo de fusão é simples. Mas os especialistas garantem que não, sobretudo quando se trata de pequena empresa. “Na maioria das vezes, o negócio é o espelho do dono, traz a história da família incrustada em cada negociação” afirma o consultor André Luiz silva, da Fomentar Gestão Empresarial. Segundo ele, é difícil dividir a sua bagagem empresarial com os demais.
Os sócios da RFR concordam: “Antes eu decidia que rumo daria à empresa, sem compartilhar as angústias e as conseqüências com ninguém”, diz Marcos Fonseca. “Hoje sou obrigado a prestar contas a cada 15 dias e a aceitar a opinião do conselho a cada passo mais importante”.Ele afirma que não é fácil. Porém, com diálogos abertos e a adoção de uma convivência baseada na confiança e na comunhão de propósitos, o fardo fica mais leve.

Para o consultor Alexandre Motonaga, professor de negociação e aspectos jurídicos da Escola de administração da Fundação Getúlio Vargas, os sócios da RFR respeitaram na prática o que diz a teoria, aumentando as chances de sobrevida do negócio (veja o quadro abaixo). “As fusões são o caminho mais rápido para ganhar fôlego e competitividade”, diz Montonaga. “Mas também são um atalho para se fechar as portas. “Isso porque, segundo o especialista, ao somarem forças, as expectativas de lucros e ganhos de mercado são muito altas e apenas 20% delas se concretizam. O que acaba gerando brigas e encerramento do negócio.

Os sócios da RFR Reciclagem sabem disso e redobram cuidados. Fazem questão de manter a empresa enxuta e de reinvestir o que ganham no próprio negócio. “Nesse mercado não há espaço para desperdícios ou luxos”, diz Cruz. É preciso enxergar mais à frente, descobrir novos fornecedores e agregar cada vez mais valor ao produto final, para conseguir melhores preços. “Os sócios garantem que a RFR treina seus 150 funcionários para aprimorar a qualidade e assegurar a pontualidade na retirada das caçambas em mais de 300 endereços, de indústrias automobilísticas ao ferro-velho da esquina”. Temos uma mina de ouro e precisamos cuidar dela muito bem” diz Cruz. “Afinal, somos uma peça importante na preservação da vida do planeta”.

OPERAÇÃO BEM-SUCEDIDA
Cuidados para quem deseja adotar a fusão de empresas como estratégia para crescer

. Procure trabalhar mais com a razão do que com a emoção. Vitórias e derrotas vividas no passado pertencem ao plano das lembranças e não devem interferir na gestão do novo negócio.
. Deixe a vaidade de lado. Você não é o único dono da verdade e nem o melhor empreendedor do planeta. Aprenda a ouvir as opiniões dos novos sócios, pois elas ajudarão a agregar valor ao negócio.
. Faça o exercício diário de compartilhar sua bagagem empreendedora com pessoas cujas experiências são diferentes das suas.
. Um Negócio que nasce baseado na transparência de valores e de processos de gestão tem muito mais chances de dar certo. Por isso, elabore um acordo de acionistas, incluindo o limite das participações de cada um, as regras de gestão da empresa, as retiradas financeiras e a possibilidade ou não da contratação de parentes.
. Divida as atribuições de cada sócio de acordo com as habilidades de cada um. Não é porque um dia a pessoa presidiu a própria empresa que essa será a sua melhor função.
. Supere as diferenças pessoais e dê opinião de forma a evitar brigas e a canalizar energias na direção do sucesso.
FIM.